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17 junho 2012

Dia dos pais e desabafo

Hoje é dia dos pais aqui na Inglaterra, e o dia começou animado. De manhã o Keith foi buscar um super café-da-manhã do McDonald's, enquanto arrumávamos a casa ao som dos Rolling Stones. Mais ou menos na hora do chá (depois do almoço e antes do jantar), fomos todos à casa dos host vós. O dia foi ótimo, até fez sol! O jantar foi uma delícia, a conversa estava super divertida e estávamos todos bem descontraídos. Depois da janta fomos pro jardim lindo que o host vô cuida com todo o carinho do mundo e ficamos lá até a hora de ir embora. Brincamos, rimos, tomamos café, comemos mais, tiramos fotos... Infelizmente eu ainda não tenho as fotos, porque elas foram tiradas na máquina do host vô.

Eu acabei de voltar pra casa e perceber que eu não verei mais o Den (host vô). No final da semana que vem eu vou dar tchau à Chichester e sabe-se lá quando eu o encontrarei novamente. Meu coração ficou pequeninho agora e um nó está se formando na minha garganta. Comecei a lembrar de tudo o que aconteceu no meu intercâmbio e percebi que o tempo passou muito rápido. 

"Minha hostfamily é muito atenciosa, sempre perguntando se eu preciso de alguma coisa ou se eles podem ajudar. Eu ainda não entendo 100% do que eles dizem, por causa do sotaque e porque eles falam um pouco rápido. O Tommy principalmente fala muito rápido, eu tenho que prestar bastante atenção pra entender tudo. Espero que já já eu me acostume e consiga entender tudo." - Isso foi o que eu disse no meu primeiro post aqui na Inglaterra. Hoje eu posso ver que aquelas pessoas que antes eram só nomes numa folha de papel se tornaram minha família. Claro, eles nunca chegarão nem perto de substituir a minha família no Brasil, mas é tão bom pensar que eu tenho pessoas aqui na Inglaterra que eu realmente posso contar. Que me aceitam mesmo que eu esteja de pijama, sem maquiagem, com o cabelo bagunçado, tomando café e toda encolhida na ponta do sofá. Pessoas que acompanharam de perto toda a minha mudança nesses meses, seja ela física ou não. Pessoas que eu vou guardar no meu coração pro resto da minha vida. 



Assim como eu senti falta das coisas mais simples do mundo nesses meus 10 meses na Inglaterra, sentirei falta de coisas tão simples quanto, pelo resto da minha vida. Sentirei falta de ir pro quarto da Lauren e conversar sem compromisso. Sentirei falta de comer pizza e assistir futebol com o Keith nas segundas-feiras. Sentirei falta do Tommy entrando no meu quarto do nada e ficando lá por horas, mexendo em todas as coisas que ele encontrava na frente. Sentirei falta das saídas com a Sam. Sentirei falta de pegar o ônibus de volta pra casa e passar ao lado da casa mal-assombrada que tem na esquina. Sentirei falta do Collin, que mesmo gostando mais da Lauren do que de qualquer outro humano no mundo, ainda pede por carinho às vezes e vem me fazer companhia no meu quarto. Sentirei falta de comentar livros e filmes com o Den e das quartas-feiras com a Maureen. 



Daqui a uma semana, estarei levando meu pai para conhecer a casa que eu passei esses últimos meses e a família que me acolheu. Vai ser nesse dia que eu vou dar adeus a todos eles. E por mais pessimista que isso possa parecer, eu não consigo parar de ter esse pensamento de que talvez eu não os veja nunca mais. As chances são poucas, eu sei. Eles já até falaram que querem ir para o Brasil na Copa de 2014. Mas e se der errado? E se a gente não conseguir se encontrar naquele ano, nem no ano seguinte, nem dos próximos 5, 10, 20 anos? E se, por alguma intervenção do "destino", perdermos o contato? Estou sendo pessimista e negativa, eu sei. Mas nesse momento, tudo o que eu tenho é um misto de medo, pessimismo e saudosismo adiantado. E claro, algumas lágrimas encharcando o teclado.



Acho que a ficha está caindo que eu estou completando esse ciclo na minha vida. Confesso, não está sendo fácil pra mim. O coitado do meu coração está em uma montanha-russa de emoções: ora muito feliz por estar voltando, ora muito triste por estar partindo. Hoje comecei a fazer minhas malas, já que eu sou bem demorada e não quero ter que me apressar e fazer tudo de última hora (como geralmente acontece). O tempo passou tão rápido... Nem parece que já é Junho e eu já estou voltando para casa. Às vezes eu queria parar o tempo e contemplar tudo o que me aconteceu. Parar o mundo para que eu pudesse respirar direito e absorver todas essas mudanças que ocorreram. Infelizmente, eu não tenho o poder de fazer isso. Eu sei que to fazendo um drama sobre tudo isso, mas eu não esperava que seria tão difícil assim. ):


Gente, desculpa por esse post não ser um daqueles que eu conto tudo o que me aconteceu na semana, encho de fotos e tudo mais. Eu só precisava escrever isso em algum lugar. Agora parece que eu abri a torneira e as lágrimas não querem mais parar de sair, socorro hahaha :P
Lembrem-se que eu também continuo postando no meu diário no Embaixador STB, ok? Se você leu até aqui... obrigada pela paciência <3
Beijos,

Taty.

18 maio 2012

Are you ready? (com vídeo, foto e drama)

Milagres acontecem: não demorei para colocar outro post aqui! *todos chora, comemora e joga as mãos pro ar*. Nesses últimos dias tive mais de 2.000 visualizações aqui no blog! Fiquei muito feliz mesmo. Vocês são demais :) 

Hoje eu estou aqui com um vídeo que eu gravei para vocês baseado nesse texto que eu vou postar ai embaixo. Vejam o vídeo, leiam o texto e me digam o que acharam :)


Ah, essa foi a única vez que eu consegui ler esse texto em voz alta e não começar a chorar no meio dele hahaha. Falem-me ai nos comentários como lidar com esse sentimento e me deem algumas opiniões sobre isso. Outra observação sobre o vídeo: vocês perceberam o tanto que eu to branquela? Uau, eu necessito de um pouco de sol! Ok, parei de bobagem, ta ai o texto:

"All the exchange students out there: are you ready?
A long time has passed and now we stand on the brink, of returning to a world where we are surrounded by the paradoz of everything and yet nothing being the same. In a couple of weeks we will relunctantly give our hugs and, fighting the tears, we will say goodbye to people who were once just names on a sheet of paper to return to people that we hugged and fought the tears to say goodbye to before we ever left. We will leave our best friends to return to our best friends. We will go back to the places we came from, and go back to the same things we did last summer and every summer before. We will come into town on that same familiar road, and even tough it has been months, it will seem like only yesterday. As you walk into your old bedroom, every emotion will pass through you as you reflect on the way your life has changed and the person you have become. You suddenly realize that the things that were most important to you a year ago don't seem to matter so much anymore, and things you hold highest now, no one at home will completely understand. Who will you call first? What will you do your first weekend home with your friends? Where are you going to work? Who will be at the party Saturday night? What has everyone been up to in the past few months? Who from school will you keep in touch with? How long before you actually start missing people barging in without calling or knocking?
Then you start to realize how much things have changed, and you realize that the hardest part of being an exchange student is balancing the two completely different worlds you now live in, trying desperately to hold on to everything all the while trying to figure out what you have to leave behind. We now know the meaning of true friendship. We know who we have kept in touch with over the past year and who we hold dearest to our hearts. 
We've left our worlds to deal with the real world. We've had our hearts broken, we've fallen in love. There have been times when we've felt so helpless being ours away from home when we know our families or friends needed us the most, and there are times when we know we hava made a difference. Just weeks from now we will leave. Just weeks from now we take down our pictures, and pack up our clothes. No more going next door to do nothing for hours on end. We will leave our friends whose random e-mails and phone calls will bring us to laughter and tears this summer, and hopefully years to come. We will take our memories and dreams and put them away from now, saving them for our return to this world. Just weeks from now we will arrive. 
Just weeks from now we will unpack our bags and have dinner with our families. We will drive over to our best friend's house and do nothing for hours on end. We will return to the same friends whose random e-mails and phone calls have brought us to laughter and tears over the year. We will unpack old dreams and memories that have been put away for the past year. In just weeks we will dig deep inside to find strength and conviction to adjust to change and still keep each other close. And somehow, in some way, we will find our place between these two worlds. In just weeks.
Are you ready?"

Lindo, né? Acho que só intercambistas vão conseguir entender completamente esse sentimento e essa sensação contraditória em que me encontro agora. Vocês tem alguma dica para me ajudar?

Eu tirei algumas fotinhas nesse dia, então ai estão:

Minha lomo fisheye linda!



Obrigada por tudo,
Taty!

19 abril 2012

I'll take you away...




Esse vai ser um daqueles textos que eu vou jogar um monte de informações juntas e não vou me preocupar se ele faz algum sentido. Provavelmente vocês não vão me entender. Não é culpa de vocês. Nem eu me entendo, na maior parte do tempo.

Sabe, eu sempre achei que eu era aquele tipo de pessoa meio misteriosa, daquelas que deixam as pessoas se perguntando o que eu estou pensando/sentindo. Daquelas que intrigam as pessoas de uma forma boa. Infelizmente, descobri que eu sou é complicada mesmo. Difícil de entender, meio dramática, meio imprevisível. Teimosa. Mais realista do que otimista. Meio chata. Meio careta. Totalmente sensível, apesar de todas as minhas amigas dizerem que eu sou "uma das pessoas mais fortes que elas já conheceram". Preguiçosa ao extremo, daquelas que deixa as coisas pro último segundo. Rainha da procrastinação. Dorminhoca. Bagunceira que só! Meu quarto é bagunçado, minha cabeça é bagunçada, minha vida é meio bagunçada. 

Acho que sou um pouco mimada demais pro meu gosto. Gosto mil vezes mais de ficar em casa do que sair pra balada. Apego-me fácil demais às pessoas, lugares, momentos... Machuco-me. Machuco as pessoas. Critico. Amo. Amo muito, ao extremo, demasiadamente. Não sei ainda se isso é muito saudável. Observo e analiso tudo ao meu redor. Quase nenhum detalhe passa despercebido por mim. Gosto de ajudar as pessoas. Gosto de ouvi-las e resolver seus problemas. Gosto quando deixo o dia delas mais alegre. Provavelmente eu não vou concordar com nenhum elogio que me fizerem, mas ficarei muito MUITO feliz com cada um. 

Aprecio coisas simples. Consigo ver beleza na menor das coisas. Acho que música é uma das melhores coisas do mundo. Música é o que deixa tudo mais suportável, sabe? Gosto de me perder no mundo dos livros e dos filmes. Gosto tanto que às vezes penso que sou a própria personagem. Gosto quando dizem que sentem minha falta ou fazem um elogio vezenquando. Não precisa ser sempre, para não cair na rotina. Só às vezes, para receber aquela surpresa agradável. 

Vivo sentindo uma constante saudade de tudo. Saudade de quem eu não vejo, saudade de quem eu vejo, saudade de antes. Sinto saudade das coisas mais rotineiras possíveis. Saudade de quem eu era e quem eu queria ser. Saudade de quando tudo pra mim virava poesia. 

Ainda sou daquelas menininhas que choram pelos seus ídolos. Que se emocionam com suas conquistas, como se conhecessem a pessoa a vida toda. Sou daquelas que quando criam uma obsessão, ficam extremamente chatas. Sou patriota, o que não me impede de gostar de outros países também. Às vezes tenho umas vontades loucas como sentar e ficar observando as pessoas sorrirem. 

Sou humana. Imperfeita. Baixinha. Errante. Sou vaidosa. Sou tímida demais. Fico vermelha quando estou envergonhada. Fico tão nervosa ao falar na frente das pessoas, que minha pressão cai, eu fico pálica, hiperventilo e me tremo toda. Sou calada, quieta, sonhadora. Imagino situações que nunca existirão, conversas que nunca serão feitas. Sou assim. Essa sou eu, Tatyanna Gois Pinho de Mendonça. A blogueira viciada em internet. A garota que tá na Inglaterra. A ruiva dos olhos verdes. Camarão, lhama, esquilinda, Taty-bolas, Thabata, Tatá, Patyanna, Gois, sister, Taty Pequena/Média, Jones. Eu. 

Desculpa pelo texto aleatório, sem noção. Eu só precisava escrever tudo isso em algum lugar. E não se preocupem em entendê-lo. Como eu disse, nem eu me entendo. Eu vou colocar o post sobre as lojas que eu fui em Brighton logo após esse post, ok? Desculpem-me a demora, como sempre. Obrigada pela paciência comigo :) 

Taty!

04 janeiro 2012

Um texto sobre o novo ano


2011 foi o melhor ano da minha vida. Lembro até hoje que na passagem de 2010 para 2011, eu sorri e disse: "Começou o MEU ano!". Sorri, chorei, dancei, celebrei, mudei de casa, me despedi, mudei de país, viajei, conheci pessoas novas, namorei, terminei, cantei, aprendi a andar de ônibus, realizei sonhos, fui em shows incríveis, me decepcionei, aprendi (na teoria) a cozinhar, escrevi mil textos, senti saudades, valorizei... Virei minha vida do avesso e descobri que talvez o avesso seja o lado certo. Em resumo: eu vivi! E sabe porque esse ano foi tão maravilhoso? Porque eu fiz acontecer. Essa é minha vida, esse é meu filme. Algumas pessoas participam como personagens bem importantes, outras nem tanto, mas a protagonista sou eu.

Eu tenho muito orgulho de perceber tudo o que eu conquistei sozinha durante esse ano que passou. Amadureci tanto, aprendi tanto, cresci tanto... (metaforicamente ok gente, minha altura infelizmente continua sendo a mesma... hahaha). Confesso que poderia ter aproveitado bem mais se eu largasse essa vida virtual e fosse viver mais minha vida real. Mas que isso sirva de lição pra esse ano que está novinho em folha.

Eu desejo à vocês que os seus sonhos saiam do papel e se tornem realidade. Que esse ano tenha mais atitudes e menos expectativas. "Stop saying I wish, start saying I will!". Pare de olhar a sua vida passar pela tela de um computador (ou televisão, celular, whatever). Levanta sua bunda da cadeira e vá viver! Você não sabe o tanto de coisas maravilhosas que te aguardam. Mude o que precisa ser mudado, mas nunca se esqueça da sua essência.

Lembre-se que você não precisa de um ano novo para mudar. Só precisa querer. Faça que esse ano seja o seu ano, para quando 2013 chegar você possa olhar para trás e ver que tudo valeu a pena.

Finalizo com um trecho de uma das minhas músicas preferidas, do meste Renato Russo. Eu sei que é clichê, mas preste bem atenção na letra da música.

"Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem. Ou que seus planos nunca vão dar certo. Ou que você nunca vai ser alguém. Tem gente que machuca os outros. Tem gente que não sabe amar. Mas eu sei que um dia a gente aprende. Se você quiser alguém em quem confiar, confie em si mesmo! Quem acredita sempre alcança!"

Beijos,
Taty.

ps: não poderia deixar de agradecer à vocês, queridos leitores e leitoras do blog! Muito obrigado a todo o apoio e carinho que vocês têm me dado! Vocês são uns amores mesmo! xx